Não deixe seu Relógio Biológico atrasar

O desequilíbrio do processo pode ter diversas causas; Nobel de Medicina deste ano premia estudo sobre funcionamento do ciclo biológico 

“Tudo tem seu tempo determinado e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer e tempo de morrer. Tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou.” Com essas belas e sábias palavras, o Eclesiastes 3 da Bíblia Sagrada já nos lembrava da importância de respeitarmos o tempo de cada coisa. E se é assim na natureza, com o nosso corpo também não é diferente.

Tanto o início do Horário de Verão quanto o recente Prêmio Nobel de Medicina reacenderam nas últimas semanas a discussão em torno do nosso Relógio Biológico. Por Relógio Biológico entende-se o ciclo de descanso e atividade relacionada aos períodos diurno e noturno. Conhecido como Ciclo Circadiano, é próprio dos homens e dos animais, e varia de 24h a 26h, de acordo com a espécie.

Além de envolver o sono, o Relógio Biológico também abrange outros processos do organismo, como a temperatura corporal, a secreção de hormônios, o sistema nervoso, a alimentação, além dos processos comportamentais de atividade física, descanso e reprodução. Portanto, não é difícil perceber a importância dele para o ser humano e, principalmente, os danos causados por sua desregulagem, que vão da hipertensão à depressão.

Para o médico psiquiatra e especialista em distúrbios do sono Alberto Jorge Remesar Lopez, de São José dos Campos, nossa saúde é totalmente dependente da regulação adequada e sincronizada dos diversos ritmos biológicos.

Segundo ele, os principais fatores que desencadeiam o desequilíbrio do nosso Relógio Biológico são o trabalho em turnos, o jet lag (diferença de fuso horário provocado por viagens aéreas), a cegueira, o Alzheimer, os transtornos psiquiátricos e os distúrbios do sono em geral. Mas para que se busque um tratamento, primeiro é preciso descobrir a causa da desregulagem do ciclo biológico.

“Os distúrbios do sono são vários e para cada um deles é necessário entender a fisiopatologia e encontrar os possíveis tratamentos. Em geral, os dois distúrbios mais comuns são a insônia e o ronco ou apneia do sono”, explica o especialista.

No caso da insônia, o uso de medicamentos pode ser necessário, mas sempre pelo menor tempo possível. Tratamentos psicológicos também podem ajudar. “Por fim, é importante entender que os hábitos alimentares saudáveis, as atividades físicas regulares e a redução do estresse são extremamente importantes nesse processo. Assim como evitar o álcool, as drogas e o tabaco”, enfatiza Alberto Remesar.

Já em relação à apneia e ao ronco, além dos cuidados acima citados, também existem alternativas cirúrgicas, clínicas e mecânicas. Entre elas, estão a correção de desvio de septo e adenoides, tratamentos contra rinite e hipotireoidismo e o uso de aparelhos intra-orais. Os interessados no assunto podem encontrar mais informações no livro “O ronco e o cutucão da minha mulher. Uma história evolutiva e clínica do ronco e da apneia do sono”, de autoria do próprio Alberto Remesar, que também é Mestre em Psiquiatria e Doutor em Ciências.

Mas além dos tratamentos disponíveis, o médico também cita muitos hábitos simples que podem melhorar a qualidade do sono e a ajudar a regular o Relógio Biológico. Entre eles estão, tomar sol pela manhã, evitar uso de equipamentos eletrônicos antes de dormir, evitar cafeína à noite, não comer de maneira excessiva antes de dormir e contar com um ambiente agradável para o descanso.

“As pessoas têm necessidades diferentes de sono, que variam entre seis e nove horas. O início do Horário de Verão, por exemplo, pode causar sonolência, cansaço, irritabilidade e até um aumento do número de pessoas que têm infarto nos primeiros dias”, alerta o especialista.

Em relação a medicamentos que ajudem a regular o Relógio Biológico, quase não há opções, a não ser a melatonina. O hormônio do sono pode ser sintetizado em laboratório de manipulação e administrado por via oral. A Farma Conde Manipulação oferece o produto em suas unidades em São José dos Campos, São Paulo, São Bernardo do Campo e Santos.

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