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Doce veneno: qual a relação entre açúcar e câncer?

Dieta com alto consumo de açúcar predispõe o organismo a vários tipos de disfunções, entre eles a obesidade, que por sua vez está associada a vários tipos de câncer

 

Os fãs do açúcar e de alimentos doces em geral sabem como é difícil resistir a uma barra de chocolate, a uma bola de sorvete, ou mesmo àquela aparentemente inofensiva torta de maçã das nossas avós. Por outro lado, sabem também que o açúcar está relacionado a uma série de doenças e disfunções que vão da obesidade ao diabetes.

Mas um assunto que causa controvérsia até mesmo entre especialistas é a correlação existente entre o consumo de açúcar e o desenvolvimento do câncer. Estudos realizados desde a primeira década do Século XX já demonstraram que as células cancerígenas “adoram” o açúcar.

Segundo esses mesmos estudos, as células cancerígenas, assim como todas as demais células do nosso organismo, precisam de fontes de energia para sobreviver. E a fonte mais “apreciada” pelas células defeituosas é justamente a glicose, que juntamente com a frutose, forma a sacarose, ou o açúcar comum.

A partir dessa constatação, muita gente acha que simplesmente abolindo o açúcar da dieta é possível evitar ou mesmo combater o câncer. Mas segundo o médico pós-graduado em Nutrologia, Dr. Matheus Galhardo, é preciso lembrar que as células saudáveis ​​também precisam de glicose. E não há como dizer ao nosso corpo que entregue a glicose necessária para as células saudáveis, mas não faça o mesmo com as células cancerígenas.

“Isso é particularmente importante para pacientes com câncer, porque alguns tratamentos podem resultar em perda de peso e colocar o corpo sob muito estresse. Assim, a fraca nutrição das dietas restritivas, que entre outros nutrientes, suprime o açúcar, também pode dificultar a recuperação”, explica o médico.

Por outro lado, Matheus Galhardo ressalta a relação do açúcar com a obesidade e desta sim com o câncer. Segundo estudos já comprovados, a obesidade pode aumentar o risco para até 13 tipos de câncer. Segundo ele, a obesidade como fator de risco para o desenvolvimento de câncer só fica atrás do tabagismo.

E quando falamos de obesidade, é preciso lembrar que o excesso de açúcar não está somente nos alimentos mais óbvios como os citados na abertura dessa matéria. É possível encontrar doses exageradas de açúcar em alimentos inicialmente insuspeitos, como iogurtes, sucos de frutas industrializados, cerais matinais e até molhos para macarrão.

Dessa forma, fica aqui a velha mensagem, tantas vezes esquecida, de que os bons hábitos alimentares e de vida são a melhor garantia de uma vida saudável e menores risco para o câncer.

Consumir menos açúcar pode colaborar para manter o peso adequado e com isso diminuir a incidência de doenças como diabetes, síndrome metabólica, refluxo gastroesofágico, problemas cardíacos e, até mesmo, o temido câncer.

“No debate acerca da correlação do açúcar com o câncer, a mensagem que devemos levar para casa é que, embora a proibição de açúcar não interrompa o câncer, todos nós podemos reduzir nosso risco de contrair a doença fazendo escolhas saudáveis. Com certeza, reduzir a quantidade de açúcar adicionado em nossas dietas é uma boa maneira de ajudar a manter um peso corporal e com isso usufruir de uma vida mais saudável”, complementa Matheus Galhardo.

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